Confesso que nunca fui um exemplo de doador de dinheiro ou tempo (voluntariado). Já participei de algumas ações de voluntariado tanto no Brasil quanto no Canadá, mas nada muito frequente, admito. 😦

Também nunca dei dinheiro para nenhum mendigo. Por outro lado sempre doo roupas e coisas que não preciso mais. Pelo menos sou um doador universal no quesito sangue. Meu sangue O- é sempre visto com olhos grandes pelos hospitais e sempre doo quando posso. 🙂

Não posso generalizar, mas TENHO A IMPRESSÃO que na média os brasileiros são mais ou menos assim. Com certeza tem gente que é a generosidade em pessoa e alguns são o inverso. Acho que estou no meio termo, para ser honesto.

Porém, aqui no Canadá, tenho sentido a consciência um pouco pesada. Eles têm muito o hábito de doar dinheiro e/ou seu tempo para quem precisa.

No caixa do supermercado ou de lojas, é bem comum existir uma caixinha para doações para alguma instituição de caridade. Já observei que uns 80% dos clientes deixam uma doação quando o caixa pede uma contribuição. Também é comum voluntários ajudarem a empacotar compras em troca de doações para uma instituição. Normalmente as pessoas também deixam sua contribuição nesses casos.

Na empresa onde trabalho, pelo menos uma vez por ano todos participam de uma ação voluntária, como a que contei no post Voluntariado e Ajuda Alimentar. Além disso, a empresa promove outros inúmeros eventos, como atividades esportivas e churrascos para arrecadar fundos para instituições beneficentes.

Um exemplo foi uma caminhada organizada pela empresa em todo o país. Os participantes precisavam arrecadar contribuições pelo Facebook entre amigos e parentes antes da corrida.

Outro exemplo é o tradicional churrasco de verão. Neste dia, a empresa organiza um churrasco no estacionamento com várias atividades. Uma delas é um daqueles brinquedos em que alguém senta numa plataforma e outra pessoa atira bolas numa mira até que o coitado caia na água. Só que no caso quem cai na água são os diretores e quem atira as bolas são os funcionários. E para atirar 2 bolas, a pessoa precisa pagar 5 dólares. Você provavelmente está pensando “puxa, carinho né?”. Foi o que comentei com um colega. Ele respondeu: “É, mas é por uma boa causa…”

Outra iniciativa neste churrasco era o sorteio de uma bela churrasqueira. Para participar, era necessário comprar uma rifa, também no valor de 5 dólares. Até não achei caro, visto que era uma churrasqueira de 300 dólares, e comprei a minha rifa. Eu e mais umas 200 pessoas. Cada um que comprava, ganhava um papel em forma de sapato de criança (a instituição beneficiada era um centro de ajuda a crianças diabéticas) onde escrevíamos nosso nome. E o papel era colado na parede do refeitório. Quando vi aquelas duas centenas de sapatinhos, comentei com alguém: “ih, acho que vai ser difícil ganhar. Olha o tanto de gente que comprou a rifa!”. A pessoa só respondeu: “É, mas tudo bem… é por uma boa causa”.

Finalmente, a comida. A empresa fornece um ticket que vale por um hambúrguer ou cachorro quente + um refrigerante. Quem quiser mais, precisa comprar outro ticket, que custa 5 dólares. Desta vez não fui eu, mas vi uma pessoa comentando com outra: “nossa, meio caro esse ticket”. Advinhem o que a outra respondeu? “É… mas é por uma boa causa…”

O churrasco arrecadou mais de 2.000 dólares!

Enfim, acho que aqui as pessoas são mais envolvidas nessas causas beneficentes, o que deixa minha consciência um pouco pesada. Mas prometo para mim mesmo melhorar isto!

Em tempo: não ganhei a churrasqueira.

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